quinta-feira, 22 de abril de 2010

Hanami

 Haja visto minha dica insistente no filme “ Cerejeiras em flor”, achei por bem “expurgar” aquilo que me tocou nessa película.
Primeiramente que há bem uns três, quatro meses, eu não tinha condição de parar e me concentrar em nada, estava no olho do furacão: separação, os filhos, a grana, brigas em família, a vida, a noite, os encantos das possibilidades ali na minha “barba”. Tudo e nada ao mesmo tempo!De repente, o convite: “ Vamos ao cinema ver esse filme mãe”? Curioso que nem vacilei , aceitei de pronto, afinal sempre fui uma cinéfila, e uma pessoa assim às vezes conta com a compania de alguém, às vezes não. E agora tendo a da minha filha... “vamos nessa”!É a estória de um casal que a mulher ao saber do pouco tempo que restava na vida do seu parceiro, resolve fazer com ele uma viagem. Ela queria ir para o Japão, mas como ele não sabia de nada, preferiu ir ver os filhos em Berlim. Lá se depararam com o inevitável passar do tempo, e com o inefável da construção e da costura que foram tecendo com os filhos. Os ódios, a competição entre eles, o jogo de empurra que fazem com os pais, o peso que sentem ao terem que se deparar ali com aqueles dois “velhos” pedindo arrego na relação com eles, tentando recuperar algo que está dado para ser perdido pra sempre.
Enfim a parceira morre antes do marido e ele ao saber do seu sonho (ir para o Japão onde mora o caçula), mais do que depressa, vai em busca de vestígios dessa mulher que ele também não conheceu....
Esse foi o ponto máximo do filme para mim... a experiência desse homem viver a falta completa e absoluta, foi justamente onde habitaram as verdadeiras possibilidades de um encontro: é no vazio, é na solidão, é na entrega daquilo que você nem sabe a seu próprio respeito a possibilidade do encontro com o AMOR. É na espontaneidade de achar bonito aquilo que a gente nem conhece, ou simplesmente de aceitar um convite como esse feito pela minha filha, é do que a alma se alimenta...
Impressionante como os orientais se permitem a ter acesso a esse não dito. Prova disso é o BUTÔ, teatro-dança de um corpo entregue aos impulsos da alma.
O filme por si, já seria demais. Mas para além disso pontuou para mim um recomeço, uma retomada. O furacão passou.... começo agora a dar conta dos estragos, mas com o Butô presente, certamente poderei me tornar ausente e me dar de presente o esvaziamento da minha mente.

Dica imperiosa: “ÍNDIOS”- Renato Russo

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