segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Indignação

Gente! Isso me indignou. Assistindo CQC, há um quadro dentro do programa, chamado Top Five, onde eles colocam trechos de outros programas, de outras emissoras, onde há uma situação engraçada, digna de mico, de vergonha... Numa das apresentações do programa, fiquei atônita pelo que vi. Um desses programas no período da manhã, onde há um convidado “conceituado” (médicos, psicólogos, fisiterapeutas, etc), enfim, pessoas que se valem de seus diplomas e títulos para esclarecer dúvidas e dar aconselhamentos, falando da diferença do desejo sexual do homem e da mulher, e no caso era um ginecologista. Como no CQC é exibido apenas um trecho do programa em questão, não sei dizer a que ponto chegou a estória inteira, mas da parte mostrada o “digníssimo” ginecologista dizia que a ordem do desejo sexual da mulher era de aproximadamente 10º (décimo), isto é, antes disso viria as compras de roupas, sapatos, alguns interesses fúteis, e me desculpem pelo “fúteis, mas se comparado ao assunto, elas ficam fúteis. Realmente chamou a mulherada de assexuada, ou vai ver que para o “digníssimo” mulher que gosta de sexo é vulgar (palavra que tenho escutado muito para descrever as mulheres hoje em dia). Bom, e o homem ele colocou o como “garanhão” - “ O homem só precisa de um lugar para fazer sexo, tipo aquele ali ô” - apontando para um biombo e mostrando para apresentadora, quase que convidando-a para o “sexo”. Fiquei indignada. Será que exagerei? É muito engraçada (melhor dizer assim) essa situação. Alguns homens (e algumas mulheres também), chamam de vulgar aquela que está afim de sexo por apenas uma noite e esses mesmos colocam o desejo delas em décimo lugar? Acho que não entendi direito. Alguém pode me explicar? Há muito tempo atrás, assistindo Tootsie 1982, com Dustin Hoffman, guardei uma parte do filme o qual nunca me esqueci. Desempregado, o personagem se veste de mulher para conseguir um papel feminino numa telenovela (o personagem é ator também). Como mulher, faz amizade com uma moça (Jessica Lange) a qual ele se apaixona. A moça, por sua vez, gosta muito da “amiga” (ele), a qual se torna sua confidente. Num desses momentos de confiança, ela diz à “amiga” que seria muito mais fácil se o homem fosse direto ao assunto e falasse logo de cara que gostaria de fazer sexo com ela. Vestido, em outro momento, de homem, ele a conhece (ela não sabe que ele é a “amiga”) e faz exatamente aquilo que ela havia confidenciado à “amiga”. Ela então dá um tapa na cara dele e saí andando. É muito difícil chegar a uma conclusão. Acredito que fazemos parte de uma geração que vai dar um outro rumo para essas questões, que serão usufruídas por nossos filhos e netos. Mas tenho para mim que precisamos nos posicionar no sentido de tentar entender que as pessoas podem pensar diferente sim e que não há problema. O que não podemos fazer é querer enfiar guela a baixo nossas idéias sem respeitar a contrária do outro. Se não concordamos, não quer dizer que está errado, apenas existe outras formas de se pensar e se posicionar no mundo. Tem mulherada por aí queimando o filme de outras tantas. Queimando o filme no sentido de querer liberdade de expressar seus desejos, mas “meter a boca” chamando a outra de vulgar porque ela teve a coragem de assumir o que queria. Os preconceitos surgem de nós mesmos e isso é alimento nutritivo para causar esta confusão toda que estamos vivenciando. Deu para entender? Ou tá muito confuso?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Na conta dos 80

Quem já não se pegou na aquela fase em que tudo parece anormal? Anormal no seu jeito de agir normalmente. O que é agir normalmente? É agir de modo em que nada te faz pensar que aquilo está estranho. É agir de modo que não há problema nenhum dizer a qualquer pessoa o que você fez. Mas tem aquela fase em que alguns fatos te faz pensar: “nossa, fui eu mesma quem disse isso, ou fiz isso?” Acho que essa fase é aquela em que seus parâmetros estão mudando. Todos temos fases de mudança. É excitante e ao mesmo tempo constrangedor agirmos de modo diferente do que sempre agimos. Mesmo assim acredito que são experiências para toda vida. Sempre digo que se você se arrependeu de algo que fez ou disse, há um lado positivo, vai fazer diferença numa próxima vez: “descobri que isso não me faz bem”. Mas que tédio viver a vida sempre tão “normal”. Não há novidades, não há paixão, não há erros, não há aprendizado, é tudo muito bem ponderado. Precisamos sim ser ponderados, mas não esquecer que a vida é muito mais que ponderação. Não estou dizendo que deveríamos roubar uns "tapes" de vez em quando, nem começar usar drogas e nem sair transando por aí sem camisinha. Um pouco de ousadia na vida faz muito bem. Quem não quer contar para seus netos a aventura que é viver? Tire umas férias  da vida “normal” de vez em quando (as férias não tem tempo, pode durar alguns minutos, horas, dias...), descubra o que te faz sentir vivo e motivado a continuar a ser normal. Acho isso importante para construirmos outros parâmetros. Até para realmente chegar a conclusão de que sua vida está muito bem obrigado. Tirem suas máscaras de vez em quando, se houver problema maior, coloquem na conta dos 80 anos!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sou grata

Sou grata a meus pais e a meus filhos, aos meus amigos e inimigos, a política e a religião, as plantas, aos animais, aos dias quentes e frios, aos meus amores e desamores, a felicidade e a tristeza, a dor, ao bem estar, ao dinheiro e a falta dele, aos professores, aos alunos, ao pneu furado, as festas, aos dias comuns, aos finais de semana, as segundas-feiras, ao trabalho e as férias, a Tom Jobim e a banda Calipso... sou grata.

É por eles que vivo e “morro”, que mudo e permaneço, que brigo e procuro a paz, que grito e fico em silêncio, que aprendo e sinto a vida!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Solteira, desesperada ou fácil?

Fim de noite de quinta, estou em casa, trocando os canais de TV sem parar. Um programa fala de relacionamentos, onde todos os integrantes do debate são homens. Ouvi ditados clássicos como “antes só do que mal acompanhado”. Assunto “pegante”: “solteiríce” e as mulheres de hoje. Abro meu e-mail e leio uma matéria de um escritor falando sobre sua prima que reclama do que ele escreve - às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão. Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas. (esse trecho foi literalmente copiado e colado do e-mail). Estou eu aqui, solteira, pensando que realmente é uma opção, já que “ficamos mais exigentes com o passar do tempo” (frase também dita no programa de TV). É verdade, as mulheres hoje em dia estão disputando atenção de homem, mas os homens também não se mexem mais quando querem alguém. Queria sentir novamente aquela sensação de que estou sendo paquerada, por um tiro só, não por uma metralhadora. Os homens, do mesmo local onde há as disputas femininas, deixam-se escolher, a mulher que se descabelar mais, leva. Outro dia, estava num bar e fui ao banheiro. Os banheiros feminino e masculino ficam um ao lado do outro. Como o local é pequeno, as filas se emendam e o último da fila era um homem. Perguntei: “A fila é aqui?”, ele respondeu: “sim”. Entrei no final da fila quando de repente - “Ele está comigo!” - ouço uma voz feminina, com uma feição de poucos amigos, olhando para mim. Fiquei atônita. Não deu nem tempo de pensar o que aquilo queria dizer. A resposta veio da mais livre e espontânea reação - “Pode ficar!” – disse sorrindo. Passei o resto da fila, rindo por dentro e por fora, do que havia dito à moça. Acredito que esteja difícil para os dois lados. A mulherada já não sabe mais o que fazer para chamar a atenção dos homens que se deixam ser escolhidos e aproveitam para dizer que elas estão muito fáceis. Queria voltar para meu planeta, mas perdi o mapa!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um outro eu dentro de mim

Sabe aquele dia em que você acorda como se fosse segunda-feira? Ou aquele dia que você tem um compromisso, mas não está muito afim de comparecer? Ou ainda aquele dia que você espera que não vai te acontecer nada demais além de um dia comum? Então, são mais ou menos quase todos os dias de nossas vidas, dependendo da fase em que estamos. Bom, aconteceu comigo. São surpresas "surpreendíveis" que surpreendem uma vida sem surpresas. Compareci ao compromisso que seria apenas mais um compromisso. Sai do compromisso mais comprometida do que realmente gostaria, ou melhor, gostei muito do comprometimento em que me comprometi. Confuso? É, fiquei confusa. É um misto de confusão, com excitação, falta de fome e vontade de comer. Como pode minutos de sua vida fazer diferença para o resto dela? Não, não perdi ninguém, mas não ganhei também (essas seriam algumas formas de em minutos transformar sua vida). Ganhei na verdade uma outra forma de pensamento. Isso existe? Alguém sabe do que estou falando? Será que eu sei? Gente, que papo de maluco! Não, eu não bebi nem fiz uso de nenhum produto ilegal. Falo aqui da “responsabilidade” que o outro tem, sem saber que é “responsável” e também sem a “responsabilidade” de ter, mas sem saber, foi “responsável”. Podemos tocar o outro sem sabermos que estamos tocando e assim sermos “responsável” (sem sabermos) por toda uma mudança na forma de pensar desta pessoa. Saí de casa apenas para um compromisso, o qual não estava afim, e voltei com um outro eu que ainda não conhecia dentro de mim.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Felicidade

Estou aqui, tentando escrever um texto inspirada por uma data que me atormenta e se Deus todo poderoso me conceder, que este tormento não signifique nada, ficarei muito feliz. Na verdade, pensei em algo para uma despedida de um momento, fase, época, fatos... Inspirada também por Martha Medeiros, colunista de jornais e autora de Divã (e outros), a qual uma grande e querida amiga, como ela mesma diz: “Uma surpresa maravilhosa da vida”, emprestou-me o livro “Doidas e Santas”. E, para finalizar a sequência de inspirações, um fato acontecido na semana passada. Uma pessoa que não encontrava há dez anos, falou coisas a meu respeito das quais nunca imaginaria, o quanto fui importante, uma lista de elogios sem fim. Foi praticamente uma declaração. Num momento dos mais turbulentos, chega alguém, que você não vê há anos e coloca uma importância tão grande em sua vida que te faz pensar. Mas não só pensar, mas te presentear com um pequeno momento de felicidade, tão importante naquele instante. Fiquei pensando então: como é simples momentos de felicidade. Por que não falamos mais, nos declaramos mais, não tiramos as máscaras que somos obrigados a usar todos os dias e presenteamos alguém? Considerando tudo isso, no dia seguinte resolvi presentear alguém e espero ter proporcionado esse momento também para ela. Por que temos que estar indo para algum lugar distante para poder falar o quanto as pessoas representam p/ gente? Deveríamos sim colocar a importância que cada um tem p/ nós, isso faz muito bem p/ quem recebe e p/ quem dá. Não tive coragem de dizer para todos, já que também talvez essa atitude possa ser vista como alguém que está “pirando” (não que eu não esteja... rs). Eu acho, por exemplo, que se alguém já moribundo, sabendo que iria partir desta p/ melhor mais dia menos dia, deveria colocar numa lista apenas as pessoas que realmente ela gostaria que fossem em seu enterro. Nada daqueles que nunca foram com sua cara, ou que te fizeram algo muito ruim, ou que simplesmente comparecem, pois funeral e casamento é sempre uma boa oportunidade de rever aqueles que há muito tempo não via, ou ainda aqueles que se juntam p/ fazer fofoca a respeito do defunto, não dando nem chance p/ ele se defender (tomara que essa estória de vida após morte seja verdade, pelo menos assim ele vai poder puxar sua perna durante a noite). Tirem suas máscaras de vez em quando, presenteiem alguém enquanto há tempo, deixem o orgulho, a vergonha de lado e coloquem o lado “ser humano” p/ falar um pouquinho, acho que o mundo está precisando disso.

domingo, 1 de agosto de 2010

Apenas mais um dia...

A maior tristeza é aquela que tem muitos nomes, mas nome nenhum. É a tristeza de não saber e saber, mas não saber o que fazer. É uma angustia, uma ansiedade, uma imaginação, um sofrimento, um choro, uma gargalhada, uma desconfiança, um sentimento...

Dormir por meses, beber a pílula do esquecimento, virar a página, e descobrir que todo entulho dos tempos varridos para debaixo do tapete estão lá. O dia da mudança chegou, quero meu tapete e não tenho aspirador. Recolherei todo entulho e reciclarei...

Mas que bom, estou viva!