quarta-feira, 31 de março de 2010

Isso pega?

Fui inoculada com o vírus da solterice... pega, viu? Começou comigo me desvencilhando do peso de uma relação de alguns anos, tipo assim: não tenho mais nenhuma responsabilidade sobre você, não somos parentes, fomos só duas subjetividades que tiveram um encontro... caminhou para experimentar os mistérios da noite, aonde todos os gatos são pardos, aonde os drink’s e a música universalizam as sensações, os sentimentos e o propósito de cada um que se encontra ali, deslizou para aquelas cantadas das mais estapafúrdias possíveis, que só são aceitáveis porque você ali engrossa o coro da babaquice, afinal está lá ouvindo.
Maluco é quanto nas primeiras aventuras, carregava ainda o peso de ser outra, mas nada que dois copos e a altura da música não dissolvessem e me deixassem completamente à vontade para me reinventar, ser quem agora eu escolhesse, falar do jeito que eu quisesse, ter a elegância escolhida e não mais a doutrinada e principalmente decidir ceder ou não aos mistérios que a noite propicía.... É quase como ser embalado.... sim, embalado na mesma toada, no mesmo ritmo na mesma cantada.... faz a gente dormir, quem sabe sonhar... E o dia seguinte????? Trrrimmmm!!!! Alô? Gabi? Ta tudo certo pra hoje??(rs!)

Trovoada de mistérios, tempestade de interrogações....


12/03/2010- gfc

A lógica da fantasia é sempre bem distante da lógica da realidade... e que caminho longo esse de fantasiar. Se ele vai ligar, ou se sou eu que tomarei alguma providência, se gostou de mim, se pude impressioná-lo com a minha “pretensa ” articulação ou se isso o assustou, se consegui causar uma boa impressão, ou se “enfiei os pés pelas mãos”... Enfim, o que todos me dizem é sempre o mesmo discurso: “Não vá se apaixonar, heim!!” E eu que mal sabia se podia novamente me abrir para alguém, pouco ligo para esse discurso, estou completamente inebriada de sacar que meu coração ainda funciona, que ele bate, que no meu corpo o sangue está bombando e que as palavras saltam da minha boca numa velocidade que o meu raciocínio mal pode  acompanhar. Penso logo existo ou Falo logo existo?
Trovoada de mistérios, tempestade de interrogações e  a mistura fina daquilo que quero pra mim com aquilo que quero causar para o outro. Tênue  esse limite, não sobra nenhum espaço entre essas duas coisas, a não ser que eu possa “trucar”, colocar  em xeque e assim criar um novo espaço onde eu possa ser o resultado dessa aposta toda.
Agora incorro em outro perigo: o de blefar! E assim a vida segue...

quarta-feira, 24 de março de 2010

O ar começou a faltar...


O ar começou a faltar... só me lembro dessa cena no dia que nasci, o intervalo entre sair daquele líquido e respirar  foi  rápido, e extremamente dinâmico, e já dependia da minha decisão, me inserir nesse mundão.
Me vejo novamente tendo que decidir a mesma coisa: o coração palpita, sofre ataques de pânico, sinto dores no corpo, mas sofro mesmo é de uma dor de aposta. Apostar em quê mesmo? De que vale essa vida?  É só uma travessia?
E eu que dispensei toda a política  de estar concernente e de jeitos de estar na vida, padeço agora de referências... não as quero, quero construir  o meu mundo, firmar-me na lógica do meu desejo. Trabalho árduo, solitário,  e parece que atualiza o quão efêmero e intenso pode ser viver...
Enfim, fui uma criança dócil, bastante contida e apesar das conseqüências que isso trouxe para mim, fui desde cedo criando um mundo paralelo que ao mesmo tempo que  me protegia, recalcava ainda mais essa minha condição. E a prova disso foi no encontro que tive na adolescência com aquele que eu julgava ser meu grande amor e com esse  fiquei, e com esse tive filhos e é desse que nesse momento tento me livrar... E foi nesse que esperei, que apostei todo o meu ser.... que piada é essa? Nesse? Como consegui transformar toda minha ingenuidade em tamanha ignorância?
Estava lá, clarificado para todos o tamanho da minha burrice, da minha alienação.
Mas parece que tentava  me livrar de uma condição que ele regularizava para mim todos os dias, a da que não quer escolher, a da medrosa, a daquela que está sempre num beco sem saída. Aliás saída para onde?
E esse é o momento que me encontro agora: tenho força para sustentar a minha saída? Saí com ele daqui, pus suas roupas pra fora, já estava desamarrada dele há tempos... e agora o que faço com esse desapego? Para onde corro? Com quem eu falo? Quem pode me escutar?
Estou vivendo um tempo de mania, cansada do turbilhão de pensamentos que tentam frear um pouco da minha angústia de não saber o que estará por vir.
O tempo tem sido um fator altamente paradoxal para mim. Parece que ele parou, que ele virou meu aliado e meu inimigo. Preciso de decisões e não consigo tomá-las. Vivo num estado de alguém que está vivendo um assalto, que ao mesmo tempo que  parece ter uma imensa lucidez  de não cometer nenhum ato brusco, fica depois com a realidade do ladrão, realidade impotente, sem perspectiva, esvaziada...
Estou com medo.... voltei a ter medo do escuro, começo a tatear... e quem sabe possa novamente ter a delícia de começar a me encontrar?

"Mundo Paralelo"


A gente sempre acha que a única pessoa que está sentindo “isso”, somos nós mesmas, e mais ninguém. Quando saímos da toca, depois de uma separação, percebemos que o que sentimos não é exclusividade só nossa, outros passaram por isso e estão vivos, ás vezes até casados novamente. A sensação de mundo paralelo, foi o que mais definiu, para mim, o estado em que me encontrava. O “ex” companheiro, não é mais nada daquilo que você pensou que fosse, é tipo “dormindo com inimigo” ou “um estranho em minha cama”. Quando estamos casados, aquela estória de que “em vida de marido e mulher ninguém mete a colher” é realmente verdadeira, todo mundo sabe, mas ninguém tem coragem de falar (acho que nem eu teria). De repente você descobre que nenhum “buraco” se salvou, nem da sua “melhor amiga” (mui amiga). Você se pergunta: “Onde eu estava até agora?” “Em que mundo eu estava vivendo?”. São aquelas estórias de novela, que todo mundo acha que só acontecem lá. Meu calmante era uma garrafa de vinho, antes de dormir. Nunca fui de tomar remédios. Rezar para dormir o maior número de horas possível, pois quando acordava, acordava. Os amigos sofrem um pouco, pois ficamos monotemáticas, tentando entender o que aconteceu, “qual a placa do caminhão que passou e nos atropelou?”. Mas são eles que salvam também. Tem também aquelas pessoas, que não tem a mínima noção do que é passar por isso, “vai passar, o tempo cura”, ou “mete a cabeça no trabalho, se foca em outra coisa”, ou “você precisa se recuperar, tem situações muito piores que a sua”. Quem diz isso, realmente não tem a mínima idéia do que está acontecendo. Esse mundo paralelo, dura mais ou menos uns 3 meses. Cada processo tem que ser vivido, sem achar que podemos encontrar a pílula mágica de esquecer o que aconteceu da noite para o dia. O que é mais feliz nisso tudo? Quando você descobre que deveria ter feito isso antes...rsrsrs